O Aquarofilista Ansioso |
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Freqüentemente, recebo ligações ou e-mails de diversos aquariofilistas reclamando porque os fatos “ecologicamente naturais” não estão ocorrendo no seu plantel, do jeito e na hora que eles queriam: hora é o casal de disco que está demorando em desovar, hora é o casal de bandeira que está custando demais para procriar, hora é o disco juvenil que está levando tempo demais para colorir, hora é planta hidrófila que está custando muito para se desenvolver e outros acontecimentos interessantes. Estas pessoas são aquelas que podemos chamar de “aquariofilistas ansiosos”. Elas exigem resultados quase imediatos: compram os peixes hoje e querem os filhotes amanhã e se os peixes não procriam são acometidos por um grande nervosismo. Por incrível que pareça, ou pode ser simplesmente coincidência, quando ocorrem estas situações, temos a impressão que os peixes observados sofrem algum tipo de influência negativa, causada pela “ansiedade do dono” e, realmente, não realizam aquilo que o aquariofilista tanto almeja: seja crescer rápido, seja procriar, etc, e, geralmente, quando a paciência do observador se esgota e ele larga de mão, aí o animal mais relaxado dá continuidade ao seu “ciclo de vida”. Há pouco tempo, um dos aquariofilistas que me contatava sempre, reclamando que o seu casal de acará disco não procriava, confessou-me que mexia muito no aquário; aumentava e diminuía a temperatura, adicionava uma série de produtos para escurecer e melhorar a qualidade da água, alternava a quantidade de luz, alimentava seis a sete vezes por dia, idealizava uma série de patês com altas dosagens de vitaminas e medicamentos e por fim, achando que estava assustando os peixes com a sua constante presença, fez um furo na parede, por onde ele podia observá-los o dia inteiro. Pois é, apesar de “toda a ajuda”, os peixes daquele cidadão não procriavam de jeito algum, fato que o deixava na maior ansiedade. Bem, um dia ele precisou fazer uma viagem e ficar ausente durante muitos dias, quem ficou cuidando dos seus peixes foi o porteiro do seu prédio, um senhor que não entendia absolutamente nada de aquários e de peixes e que se limitava a alimentá-los uma vez a cada dois dias, não gastando para isso mais do que cinco minutos. Neste período, quase duas semanas, a água dos aquários não foi trocada uma única vez. Quando o ansioso voltou de viagem teve uma grata surpresa: os peixes, “mesmo sem a sua ajuda”, haviam procriado e gerado uma série de alevinos. Pois é, o aquariofilista vivido sabe que a paciência é um dos principais quesitos para se obter sucesso na procriação de peixes ornamentais e, por isso, quando queremos formar um plantel, seja de guppies, bettas, bandeiras, discos e outros, o correto é adquirirmos animais bem jovens, de forma que possamos criá-los do nosso jeito, com as nossas rações e em alguns casos, principalmente quando acarás discos, estabelecer uma interação com o animal, fato que irá ajudar bastante na época da procriação. É gratificante acompanharmos o desenvolvimento do animal, acostumá-lo a comer em nossas mãos e como o consultor – Ricardo Assunção – costuma fazer: treinar o peixe para saltar d’água e pegar o alimento em suas mãos; isto sim é “aquarismo de verdade”; é preciso ter muita paciência e vencer a ansiedade. Lembro da ocasião em que resolvi criar Rasboras e que não havia nenhum registro, no Brasil, sobre o assunto, então passei muitos meses observando o comportamento de um grupo daqueles peixes até que chegasse a hora certa de induzi-los a procriação e obter um bom resultado. Assim, podemos afirmar que criar peixes ornamentais, oferecendo-lhes condições para procriarem em nossos aquários é um privilégio daqueles que possuem a sensibilidade da observância, da paciência e principalmente daqueles que conseguem vencer a ansiedade.
Wilson Vianna Presidente da Associação de Aquariofilia do Brasil |
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O Aquarofilista Ansioso
Na onda dos aquários
NA ONDA DOS AQUÁRIOS |
Revista Expressão |
O que se nota é que este pouco ou muito entusiasmo está indo além das residências, já que um aquário também pode estar em ambientes de trabalho ou em estabelecimentos comerciais, decorando determinado espaço ou, simplesmente, proporcionando agradável e discreta companhia às pessoas. Afinal, os peixes, mesmo sendo muito silenciosos em sua maioria, também podem movimentar e alegrar qualquer lugar onde estiverem bem colocados e, é claro, muito bem tratados. Paixão assumida de muitos, desde crianças a idosos, criar peixes e cuidar deles com todo carinho e atenção, muitas vezes, se transforma em ótima terapia, podendo até estimular mais a afetividade, aliás, como a maioria dos bichos. Dependendo da escolha das espécies, essa paixão, às vezes, pode ser mais dispendiosa e outras vezes, mais modesta, com poucos gastos. No entanto, a enorme satisfação em cria-los, nem de longe tem a ver com mais ou menos dinheiro. Mas, a verdade é que quem monta o primeiro aquário, geralmente, se apaixona por esta prática e não pára de buscar informações a respeito e de planejar novos investimentos... (mais detalhes em www.revistaexpressao.com.br ) |
Imformações sobre Lerneose
LERNEOSE |
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Popularmente chamado de Verme-Âncora, é na verdade um parasita e não verme como é chamado erroneamente. Ele ataca o peixe externamente, onde tecnicamente é chamado de ectoparasita, se atacasse o peixe internamente seria chamado de endoparasita, o que não é o caso. Já na fase adulta são visíveis sem ajuda de instrumentos conforme a foto:
A Lernea, é hematófaga, ou seja, se alimenta de sangue e assim o peixe poderá morrer por anemia entre outras doenças conseqüentes, como ataque de outros parasitas devido aos ferimentos expostos causados pela Lernea. Na fase adulta esse parasita pode chegar a 1cm conforme a foto: O parasita fixa em qualquer região no corpo do peixe, como você pode observar na foto desse Kinguio, Carassius auratus: Observe onde estão os círculos, nesses locais estão os ectoparasitas. A Lernea ataca várias espécies de peixe. Já observei o ataque em: ciprinídeos, poecilídeos e anabantídeos. Tratamento Para tratar, você deve retirar o peixe da água e com o auxílio de uma pinça puxe o parasita conforme a foto: Após a retirada da Lernea, passe algum medicamento no local onde estava o ectoparasita. Existem vários produtos vendidos em lojas de aquariofilia, vários produtos onde você poderá optar por um e tratar os ferimentos/lesões deixados no local de fixação do parasita no peixe. Assim evitará o aparecimento de outras possíveis doenças, uma vez que o peixe está sob estresse e anêmico e ainda possui algumas pequenas feridas pelo corpo. O importante é que ao adquirir um peixe, não vá pelo impulso, olhe bem o peixe antes de efetuar a compra, observe atentamente o seu corpo, veja se não existem manchas brancas ou avermelhadas e se também não tem nenhum " fiapo" no corpo assim como é visto a Lernea. Lojas idôneas jamais comercializarão peixes nessas condições é importante lembrar isso. |
domingo, 18 de julho de 2010
Quarentena de peixes e plantas
A quarentena é necessária sempre que um novo indivíduo é adquirido, visando impedir que alguma doença contamine o aquário principal, onde poderia contaminar outros e onde haveria maior dificuldade para tratamento. Como proceder:
Reserve um aquário para esta finalidade. Para maior praticidade na limpeza e para evitar acúmulo de dejetos não há necessidade de substrato. Mantenha apenas um termostato para controle da temperatura e uma iluminação suficiente para a observação. Um filtro do tipo esponja pode ser uma boa opção. Coloque o peixe recém-adquirido no aquário de quarentena, e mantenha-o por 30 dias, observando sua aparência e comportamento. Procure observar se há sinais pelo corpo que possam indicar alguma doença, como pontos brancos, secreções semelhantes a algodão, etc. Ou ainda comportamentos suspeitos, como falta de apetite, peixe raspando o corpo pelo aquário, etc. Faça trocas parciais de água frequentemente.

Quarentena de Plantas
Pode parecer excesso de zelo, mas não é, a quarentena de plantas é um dos ítens mais importantes para se evitar problemas futuros dentro do aquarismo dulcícula. A medida visa eliminar a introdução de pequenos seres vivos, geralmente ocultos entre as folhas, seja na forma de larvas ou ovos, além de bactérias, esporos de algas, etc.
Uma vez dentro do aquário principal, estes geralmente são difíceis de se eliminar, considerando que no aquário principal não podemos utilizar determinados produtos químicos sob risco de comprometimento da colônia de bactérias e consequemente do equilíbrio biológico.
Com isso é de vital importancia que as plantas sejam tratadas e submetidas ao período de "quarentena".
Como proceder: Antes de iniciar a "quarentena" lave as plantas com água corrente, examinando entre as folhas. Em seguida submeta-as a uma solução de permanganato de potássio (KMnO4) por cerca de 20 minutos. O permanganato de potássio pode ser encontrado em farmácias, geralmente em cartelas com cápsulas. Veja a orientação do fabricante sobre a proporção de água para diluir cada comprimido (geralmente um litro para um comprimido).
Após a imersão das plantas na solução, lave-as em água corrente para retirar todo o permanganato de potássio e coloque-as no aquário de quarentena, mantendo-as ali pelo período de pelo menos 10 dias, observando frequentemente para verificar caso surja alguma praga.
Caso isso ocorra retire as plantas, esvazie o aquário quarentena, refaça o tratamento acima, e inicie novamente a contagem dos dias.
Ao completar a quarentena com sucesso, transfira as plantas para o aquário principal.
Água
APARÊNCIA DA ÁGUA
A cor da água é um indicativo para o que está acontecendo no aquário, tanto química quanto biologicamente, e um aquarista cuidadoso pode retirar dela várias indicações para saber o momento em que deve intervir para evitar problemas com doenças e/ou desequilíbrios químicos e biológicos que poderiam chegar até a causar mortes em sua criação.
Uma água bem limpa, clara e cristalina revela que suas características químicas, como pH e dH, biológicas, como quantidade de algas, e de manejo, como quantidade e qualidade de iluminação estão em níveis aceitáveis, e muito mais facilmente você terá um aquário balanceado e adequado para sua criação.
Quando nós tiramos a água da torneira, ela é clara e aparentemente ótima para usar no aquário, mas não é essa a realidade, pois, a partir do momento em que é depositada, ela sofre uma série de reações químicas, físicas e biológicas, e é por isso que devemos sempre esperar que ela "amadureça", durante até duas semanas, dependendo do tamanho do aquário.
Um exemplo é o que acontece dois ou três dias após cheio o aquário, a água vai ficando turva e leitosa, devido principalmente à grande proliferação de bactérias. Uns dias mais e veremos que ela voltará ao normal, e só aí poderemos pensar em colocar os peixes. Ela continuará cristalina e transparente, desde que receba os cuidados necessários. A partir daí, de acordo como mudará a cor da água, poderemos saber o que está acontecendo com ela.
ÁGUA VERDE: A água verde é produzida por algas microscópicas que se desenvolvem devido ao excesso de luz direta sobre o aquário. Para evitá-las devemos colocar o viveiro num lugar onde não pegue mais que meia hora diária de sol, pela manhã. Se a água fica verde devemos tampar os lados do aquário por onde lhe chega a luz, e ficar vigilantes, pois as algas morrendo, desprendem enormes quantidades de gás carbônico, prejudicial aos peixes. As "dáfnias", pequenas pulgas d'água são reputadas como grandes comedoras de algas verdes.
ÁGUA MARROM: É produzida por algas dessa cor, devido a má iluminação. Um aquário que chega a essa condição é por ter sido negligenciado na sua iluminação, e seu aspecto é deplorável. As plantas não se desenvolvem, ficam amareladas, raquíticas e a solução para evitar que isso aconteça é usar luz em quantidade suficiente.
ÁGUA TURVA: É devido ao excesso de matéria orgânica em suspensão e à sua lógica reprodução de bactérias. Pode ser evitada mantendo o aquário escrupulosamente limpo, sinfonando-se periodicamente os dejetos dos peixes e os restos de comida que se acumulam no fundo. Quando a água se turva, nunca deve ser substituída, nem parcialmente, por outra recém tirada da torneira. Isso tende a aumentar ainda mais o número de bactérias.
ÁGUA CRISTALINA: É o estado ideal da água. Quando há uma perfeita observação de todas as regras básicas anteriormente expostas, a água mantêm-se limpa e inodora indefinidamente. Porém, às vezes, por razões tais como: um descuido na quantidade de alimentação dada aos peixes, uma superpopulação no aquário, ou qualquer outra falha, a água se turva. Geralmente se deixarmos os peixes em jejum por alguns dias e sinfonarmos os dejetos do fundo do aquário, a água volta à sua condição natural. Esse processo pode ser acelerado mantendo o filtro sempre ligado.
sábado, 17 de julho de 2010
Injetando CO2
Todas as plantas têm um ciclo em que durante as horas de luz usam o CO2 e liberam o oxigênio com um processo de fotossíntese. Durante as horas escuras, ocorre que as plantas usam o oxigênio e liberam o CO2 em um processo chamado de respiração. Na maioria dos aquários, o período da fotossíntese realiza-se entre 10 e 12 horas com luz, e as outras horas, sem luz para equilibrar os processos. Na natureza algumas plantas são situadas em lagoas abertas e grandes e recebem uma quantidade de luz forte e de longo período, outras são situadas em selvas e recebem quantidades de luz baixas. Cada variedade de planta tem suas próprias exigências, para melhores resultados no aquarismo estas exigências devem ser equilibradas
A lâmpada fluorescente é um dos meios mais econômicos de estabelecer um spectrum largo de luz em uma quantidade adequada para a sobrevivência de plantas aquáticas.
Adicionar Co2 as vezes se faz necessário para as plantas, mas nem sempre, alias alertamos que se o aquarista não obter iluminação e substrato adequado em seu aquário, não adiantará injetar Co2 para beneficiar as plantas, pois outras deficiências serão notadas por elas.
As plantas alem de outros nutrientes, precisam de carbono que é derivado do Co2. O carbono, fósforo, potássio, ferro os demais nutrientes são essenciais para o desenvolvimento das plantas. Durante a fotossíntese Co2 é retirado e o Oxigênio liberado. Sem Co2 não existe fotossíntese e as plantas não assimilam os nutrientes citados. Na falta de Co2 dissolvido na água, algumas plantas retiram do Bicarbonato em processo chamado de Descalcificação Biogênica , provocando a elevação do Ph.
Esta retirada das plantas de Carbonatos e Bicarbonatos, podem desequilibrar o controle de Ph e Dh.
Para que não haja muita perda de Co2 no aquário, devemos evitar Bombas de Ar com pedras porosa.
A injeção de Co2 sem nenhum tipo de controle pode reduzir rapidamente o Ph da água em um nível incontrolavel. Obrigatoriamente o KH da água do aquário deve estar maior que 4o para que a variação do Ph não seja rápida e que possa ser controlado pelo aquarista. O Co2 funciona como mais um nutriente para que as plantas se desenvolvam.
DENSIDADE
A água natural do mar possui normalmente 34 a 35 gramas de matéria dissolvida numa massa de um quilograma de água (H2O). Essa matéria é uma vasta combinação de elementos, e nela se encontram todos os elementos químicos conhecidos. Mais comumente utilizada do que a salinidade de uma dada amostra é a medição da sua densidade. O nível aceitável é bastante elástico, sendo possível manter-se aquários de invertebrados em densidades de 1.015 a 1.025. A temperatura afeta a medição, pois quanto mais alta a temperatura da solução medida, menos densa ela se torna. Por causa disso, normalmente medimos a densidade de uma amostra e anotamos a que temperatura ela foi tomada. O padrão no caso de medições de densidade é 25 Graus Centígrados, e deve-se corrigir a medição obtida, caso a temperatura da solução medida seja diferente daquela.
O importante, mais uma vez, é a estabilidade da densidade da água de um aquário ao longo do tempo. Se se observa uma determinada densidade e se deseja alterá-la, isso deve ser feito vagarosamente e com cuidado. Se no curso de alguns dias a partir do início da alteração da densidade for observado qualquer prejuízo aparente à vida contida no aquário, deve-se suspender imediatamente a interferência.
Características em relação à densidade da água:
água doce < 1.000 DH
água salobra - 1.000 a 1.017 DH
água salgada
água hipersalina - > 1.027 DH
*A Densidade natural da água do mar, considerada ideal para aquários marinhos, é de 1.023 DH (Deutsch Hardness).
Com relação à dureza da água, podemos dizer que o Cálcio e o Magnésio são os principais sais minerais dissolvidos na água do mar (maior quantidade). Quanto mais sais minerais dissolvidos contiver a água, mais "dura" ela será.
Para que possamos ter uma idéia da variedade de sais minerais e elementos químicos dissolvidos na água do mar, vai aqui a relação em ordem alfabética dos mesmos:
Alumínio, Antimônio, Arsênico;
Bário, Bismuto, Bório, Bromo;
Cádmio, Cálcio, Carbono, Cério, Césio, Chumbo, Cloro, Cobalto, Cobre, Cromo;
Enxofre, Escândio, Estanho, Estrôncio;
Flúor, Fósforo;
Germânio;
Índio, Iodo, Ítrio;
Lantano, Lítio;
Magnésio, Manganês, Mercúrio, Molibdênio;
Níquel, Nitrogênio;
Ouro;
Potássio, Prata;
Rádio, Rubídio;
Selênio, Silício, Sódio;
Tálio, Titânio, Tório, Tungstênio;
Urânio;
Vanádio;
Zinco.